Evolução Histórica do edifíco

Breve Resenha Histórica do complexo de infra-estruturas designado Fábrica Nacional de Cordoaria

O complexo de infra-estruturas designado por Fábrica Nacional de Cordoaria, com acesso à Rua da Junqueira pelos nºs 69 e 69-A, Fábrica esta extinta pelo Decreto-Lei nº 245/92, de 30 de Outubro e com as designações de Edifício da Fábrica Nacional de Cordoaria / Cordoaria Nacional / Real Fábrica da Cordoaria da Junqueira / Real Cordoaria da Junqueira, localizada em Lisboa na freguesia -e Santa Maria de Belém, com acesso igualmente pela Rua da Junqueira, 187 - 189, Av. da Índia, Travessa das Galeotas, Rua Mércia Mouzinho de Albuquerque, foi qualificado como Monumento Nacional pelo Decreto nº 02/96, de 06 de Março e tem uma área aproximadamente de 30.000 m2.

Cord . Nacional 1961

Rua da Junqueira - (1961) Foto de Arnaldo Monteiro Fonte: Arquivo Municipal de Lisboa

Localizado na proximidade do Chafariz da Junqueira, da Casa Lázaro Leitão e da Quinta das Águias, embora não se conheça com exatidão a data do início das obras de construção, sabe-se que foi do Governo de Marquês de Pombal a decisão de lançar uma nova Cordoaria nos areais da Junqueira, aparentemente para proporcionar melhores condições do que aquelas em que se efetuava o fabrico do cordame no Arsenal de Marinha, na Ribeira das Naus.

A construção acabou por ser executada no Reinado de D. Maria I, sendo Presidente do Erário Régio o Marquês de Angeja e Ministro da Marinha, Martinho de Melo e Castro, tendo sido supostamente confiada ao Arquiteto Reinaldo Manuel dos Santos que, entre outras obras, concluiria a Basílica da Estrela.

Os trabalhos de construção tomaram, então, grande relevo, tendo sido necessário ordenar a demolição de todas as barracas existentes nos terrenos marcados para esse fim, o que motivou protesto dos moradores.

De acordo com os planos originais, o edifício foi projectado para ser construído por duas extensas alas paralelas, separadas por um pátio em todo o comprimento, ocupando uma área total de 16.212 m2.

Como o rio Tejo banhava a ala sul do imóvel, foram construídos dois cais fluviais anexos, destinados ao desembarque de matérias primas e embarque de produtos manufaturados. Estes cais ficaram inutilizados, no final do Século XIX, com o aterro da margem do rio, destinado à construção da linha de caminho de ferro que liga Lisboa a Cascais.

Em Agosto de 1788 era dada como terminada a construção das duas alas paralelas separadas por um pátio.

Com a necessidade de expansão da área fabril da Cordoaria foi edificado um conjunto de construções, na ala norte, que veio a alterar toda a fachada Norte original da ala sul do edifício, exceto a parte do Torreão Central.

Ao longo dos tempos foram efetuados acrescentos e modificações, como por exemplo a construção e posterior inutilização dos dois cais anexos, como atrás se referiu, para construção da linha de caminho de ferro e do novo traçado da Avenida da Índia, o acrescento dos dois pavilhões laterais, em cerca de 30 metros e a demolição das paredes salientes dos dois pavilhões.

Entre 1912 e 1913 foi acrescentado um 3º piso ao edifício norte-nascente.

Em Dezembro de 2007 e ao abrigo do protocolado entre a Presidência do Conselho de Ministros (PCM) e o Ministério da Defesa Nacional (MDN), a Autoridade Nacional de Segurança (ANS) e o respectivo Gabinete (GNS), ficará instalada numa parte do complexo de infra-estruturas designado por Fábrica Nacional de Cordoaria.

Dada a sua dimensão, o edifício da ex-Fábrica Nacional de Cordoaria foi aproveitado, ao longo dos tempos, para os mais variados fins, sem todavia pôr em causa a sua atividade primordial, a confeção de cordame e velame, que veio mais tarde a alargar-se à tecelagem, tinturaria, bandeiras, botes pneumáticos e alfaiataria.

Assim, em 1798, na sequência da criação da Sociedade Real Marítima, Militar e Geográfica para o Desenho, Gravura e Impressão das Cartas Hidrográficas e Militares, foi nele instalada, durante 65 anos, a oficina de Instrumentos Matemáticos e Náuticos, sendo transferida em 1865 com todo o seu material para o Observatório da Marinha.

Em 1810, começou a funcionar no Torreão Nascente o Recolhimento de S.ta Margarida de Cortona, extinto em 1823 por ser prejudicial à Fábrica.

Em 6 de Maio de 1816 foi criado o Colégio de Santo António para a recolha dos orfãos expostos e, em 15 de Novembro do mesmo ano, o Colégio de S. Pedro, destinado ao recolhimento de menores, tendo os dois por finalidade proporcionar a possibilidade de aprendizagem, na Cordoaria, de um ofício.

Em Março de 1821, o Colégio de Santo António foi integrado no Colégio de S. Pedro, que cessou a sua existência devido a ter sido destruído no incêndio de 1826.

Em 1834, o Ministro da Marinha cedeu uma casa anexa ao Torreão Nascente, à Sociedade das Casas de Asilo da Infância Desvalida para instalação de uma escola. No mesmo local, encontra-se hoje em funcionamento uma creche e jardim de infância – Casa da Junqueira – da Fundação D. Pedro IV.

Desde 1866 que as Tropas destinadas e regressadas do Ultramar ocupavam a ala norte-nascente, zona até agora ocupada pelo Instituto Superior Naval de Guerra.

Mais tarde, em 1895, ficou ali definitivamente instalado o Quartel das Tropas do Ultramar, que passou a designar-se Depósito de Tropas do Ultramar.

Entre 1895 e 1924, a Divisão de Reformados da Armada esteve também instalada nesta área e, uma vez extinta, foi substituída pela Secção de Reformados da Armada, que se manteve nas mesmas instalações até 1928, ano em que foi transferida para o antigo Quartel da Armada, em Alcântara.

Em 1916, foram, provisoriamente, colocados na Cordoaria o Tribunal de Marinha e a prisão, designada por Reclusão Naval da Junqueira. Decorridos 12 anos, foram transferidos para o antigo Quartel da Armada, em Alcântara. Entre 1917 e 1918, foi instalada a Enfermaria Naval da Junqueira, na dependência do Hospital da Marinha.

Após a sua criação, em 24 de Abril de 1902, o Hospital Colonial e a Escola de Medicina Tropical são provisoriamente instalados na ala oeste do pavilhão Norte-Nascente da Cordoaria, que na altura se encontrava devoluto e, em 1925, o Hospital foi transferido para a Quinta da Ega, nas imediações, enquanto que a Escola se mantém até 1959, ano em que é integrada no Instituto de Medicina Tropical.

Aquando da procura de novas soluções para resolução da precariedade das instalações do Instituto Superior Naval de Guerra, que se encontrava sediado no Ministério da Marinha, na Praça do Comércio, em Outubro de 1958 foi levado ao conhecimento do então Diretor, Almirante Marques Esparteiro, um memorial manuscrito com três hipóteses de novas instalações.

Das três hipóteses, apenas as duas primeiras ofereciam possibilidades de serem consideradas em consonância com as realidades do problema e após visita efetuada, o Diretor não teve dúvidas em optar pela primeira, considerando-a solução mais simples e inteiramente satisfatória e que consistia na instalação do Instituto Superior Naval de Guerra no edifício da Junqueira, onde se encontravam instalados os seguintes serviços:

a) Depósito de Tropas do Ultramar;

b) Arquivo de documentos da Agência-Geral do Ultramar;

c) Repartição dos Serviços do Ultramar do Ministério do Exército;

d) Companhia da Legião Portuguesa

O edifício que inicialmente pertenceu à Armada era do Ministério do Ultramar. Os vitrais do vestíbulo, com as figuras dos nossos Navegadores das Descobertas e da Ocupação da Índia, atestam a sua ligação com feitos navais da nossa História.

Nestas circunstâncias, o Director do Instituto propôs ao Almirante-Chefe do Estado-Maior da Armada, em Dezembro de 1958, que superiormente fosse considerada a cedência do Edifício da Junqueira ao Ministério da Marinha para instalação do Instituto Superior Naval de Guerra.

Assim se iniciou um encadeamento de diligências, que levou ao progressivo abandono destas instalações pelos antigos inquilinos, primeiro a Legião Portuguesa, depois os Serviços do Ministério do Ultramar e, por último, o Depósito de Tropas do Ultramar e a Repartição dos Serviços do Ultramar do Ministério do Exército, até se alcançar o dia 16 de Maio de 1961, altura em que o Ministério do Ultramar fez a entrega de um apreciável molho de chaves ao Instituto.

Foi assim que, em 30 de Janeiro de 1962, se deu por concluída a transferência das instalações e no dia 1 de Fevereiro pôde ter início, a atividade do Instituto Superior Naval de Guerra.

Em 22 de Setembro de 2005, é publicado o Decreto-Lei nº 161/2005, que determina a criação do Instituto de Estudos Superiores Militares (IESM), com a consequente extinção dos Institutos Superiores dos Ramos das Forças Armadas, entre eles, o Instituto Superior Naval de Guerra.

Em 29 de Setembro de 2005 é efectuada a Sessão Solene de Encerramento da actividade do Instituto Superior Naval de Guerra.

Em 29 de Março de 2007 é assinado por sua Excelência o Ministro da Defesa Nacional o Despacho n.º 58/MDN/2007 que disponibiliza as Instalações do ex- Instituto Superior Naval de Guerra para relocalização do Gabinete Nacional de Segurança.

Em 30 de Maio de 2007 é assinado um Despacho-Conjunto da Presidência do Conselho de Ministros (PCM) e o Ministério da Defesa Nacional (MDN) no qual se define a metodologia e responsabilidade relativas às despesas com a relocalização do Gabinete Nacional de Segurança.

Em 21 de Dezembro de 2007 é assinado um Protocolo entre a PCM e o MDN que regulamenta a efectiva transferência do Gabinete Nacional de Segurança, bem como a utilização de parte das instalações do ex-Instituto Superior Naval de Guerra.

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